O Programa Empreender, ao reunir empresários em núcleos setoriais e estimular a busca de soluções conjuntas, busca desenvolver e promover a competitividade dos pequenos negócios. Na fase atual, que já conta com 1591 empresas participantes e 149 núcleos setoriais criados, em 56 associações de 5 estados brasileiros, já foi atingida cerca de 50% da meta para o ano de 2017.

A revisão da metodologia do Empreender consolida as modificações que vêm sendo introduzidas e produzidas ao longo de mais de duas décadas, passando a limpo os diferentes aspectos envolvidos na aplicação do projeto e suas variações - que vão desde os instrumentos empregados, a capacitação dos consultores até as estratégias de criação dos núcleos setoriais.

"Com o objetivo de resgatar o caráter nacional da metodologia, a CACB reuniu conteúdo técnico com foco na evolução no mercado das empresas participantes dos núcleos. A proposta é criar muito mais que uma rede de empresários com o objetivo de melhorar seus negócios. Queremos ajudar no desenvolvimento local", explica Carlos Rezende, coordenador executivo da CACB.

De acordo com a consultora Yonara Medeiros, responsável pelo processo de consolidação das novas regras, o aprimoramento da metodologia pretende reforçar os princípios básicos do trabalho participativo e sensibilizar para que o Empreender seja uma das principais estratégias das ACEs para apoiar as empresas. Ela explica que há dois pontos principais nas alterações propostas, que atualizam algumas orientações e recomendações: "Não são necessariamente novidades, mas formas mais avançadas de proceder com algumas etapas da implementação e do desenvolvimento do Empreender e dos Núcleos Setoriais. A primeira diz respeito ao processo de seleção dos segmentos para formação dos núcleos, de forma que as escolhas possam refletir em resultados mais efetivos para as empresas, ACE e município, levando em conta as condições específicas de cada segmento, as perspectivas de mercado, o grau de engajamento e o nível de participação, por exemplo".

Para isso, a nova metodologia prevê o uso da matriz de seleção dos segmentos, que já existia, mas passa a ser prioritária na identificação de setores, segmentos e oportunidades de atuação com cadeias produtivas, trazendo uma lista com critérios que exigem uma boa pesquisa de campo.

A segunda questão é a metodologia de planejamento. "Antes essa etapa incluía apenas o levantamento de necessidades e a definição de ações. Agora, deve definir quais resultados as empresas querem atingir com o trabalho em núcleo, como, por exemplo, faturar mais, reduzir custos, aumentar participação de mercado. Com isso, se definem os indicadores para mensurar essa transformação nas empresas", conta Yonara.

"A metodologia é mais completa, e um tanto complexa, exige um pouco mais de preparo dos consultores, principalmente os iniciantes, mas as experiências mostram que os empresários compreendem melhor o processo, conseguem visualizar as etapas e sabem qual o caminho, e o porquê de realizar as ações planejadas", conclui a consultora.

Ensino a distância

Renato Rossi, consultor externo do programa, explica que a atualização da metodologia do Empreender inclui ainda um novo modelo de capacitação de consultores a distância, com módulos de aprendizagem. A ideia é estimular a participação de novos consultores, que possam colaborar no processo de criação dos núcleos e no fortalecimento do associativismo: "O consultor tem papel fundamental para o sucesso do Empreender. O espaço de formação permite que ele se dedique aos estudos e ajude a mudar a realidade de micro e pequenos empreendedores, estimulando o protagonismo local e a disseminação de boas ideias". O ambiente virtual, que está sendo finalizado na plataforma Moodle, estará disponível a partir deste ano (2017).

Grandes parcerias

Desde a década de 1990, CACB e Sebrae são parceiros nessa iniciativa, buscando ampliá-la e disseminá-la, a cada novo ciclo: "Os benefícios do Programa Empreender para os pequenos negócios tendem a crescer ainda mais com esta nova versão da metodologia de formação de núcleos setoriais. Com isso, as empresas participantes dos núcleos setoriais poderão se consolidar no mercado em que atuam", define o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

Um novo estímulo para os núcleos setoriais veio com o apoio do programa AL-Invest 5.0, uma parceria com a União Europeia, que visa à redução da pobreza. Trata-se de um investimento de 25 milhões de euros, durante 4 anos, para alavancar as micro e pequenas empresas em 16 países da América Latina. No Brasil, a CACB é a representante do consórcio executor do programa, que estimula ações realizadas por meio do Empreender.

Além desse projeto internacional, o Empreender também realiza ações conjuntas com a Sequa, entidade alemã, para o treinamento na técnica de núcleos setoriais, e ampliou sua atuação a partir de outros convênios, como o assinado pela CACB com a Votorantim, que visa a fortalecer as agendas locais dos micro e pequenos empresários, também em conjunto com o Sebrae.

O vice-presidente da micro e da pequena empresa da CACB, Luiz Carlos Furtado Neves, que também é vice-presidente do Conselho do Sebrae, aponta que a atualização da metodologia é voltada para a melhoria de toda a sociedade: "Contribuir para a formação de núcleos setoriais, em que grupos de empresários de um mesmo ramo se reúnem para amadurecer juntos, enfrentando problemas parecidos e trocando experiências, ajuda também a engrandecer o pequeno negócio, a empoderar mulheres empresárias, a incentivar jovens empreendedores, a garantir formas de inovação e a implementar a cultura da capacitação constante e da renovação", define ele.

Fonte: Revista Empresa Brasil


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